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Simpósio sobre Dislexia reúne mais de mil pessoas em Cuiabá

Durante os dois dias do evento especialistas, professores e diversos profissionais realizaram apresentações e palestras para aproximar o tema de pais e educadores
Gustavo Nascimento | Seduc-MT

II Simpósio sobre Dislexia em Mato Grosso - Foto por: Marcos Lopes \ AL-MT
II Simpósio sobre Dislexia em Mato Grosso
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Aproximadamente mil pessoas participaram do III Simpósio de sobre Dislexia de Mato Grosso, no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, em Cuiabá. O evento buscou debater políticas educacionais para o desenvolvimento da aprendizagem de alunos disléxicos, além de quebrar preconceitos e paradigmas sobre o tema.

Durante os dois dias de simpósio, realizado entre 22 e 23 de maio, especialistas, professores e diversos profissionais realizaram apresentações e palestras para aproximar o tema de pais e educadores.

A dislexia se origina da dificuldade no desenvolvimento cognitivo e no aprendizado das crianças relacionadas à leitura e à escrita. Consiste na perturbação na aprendizagem da leitura pela dificuldade no reconhecimento da correspondência entre os símbolos gráficos e os fonemas, bem como na transformação de signos escritos em signos verbais.

A fonoaudióloga e psicopedagoga Maria Ângela Nogueira Nico, presidente da Associação Brasileira de Dislexia, afirmou que ficou impressionada com a quantidade de professores que participaram do simpósio. Ela ressaltou que os profissionais são fundamentais no pré diagnóstico da dislexia e saber mais sobre o transtorno ajuda e muito no desenvolvimento dos alunos.

“Os professores são, talvez, as pessoas mais importantes na vida dessas crianças, com e sem dificuldade, porque eles vão perceber essa dificuldade, depois encaminhar e acolher". Ela afirmou que a avaliação da dislexia é muito difícil de ser feita muitas vezes é necessário a presença de diversos profissionais como fonoaudiólogo, neuropiscicólogo, neurologista. Contudo, o quanto antes o transtorno for descoberto melhor para as crianças.

“Os primeiros sinais podem ser descobertos durante o processo de alfabetização, idade de 7 a 9 anos. É um transtorno que não tem cura, o quanto antes melhor para começar essa intervenção e essa criança chegar lá igual as outras. Às vezes, recebemos adultos com a autoestima baixa, com a autoimagem péssima que passaram a vida inteira com a dificuldade sem saber o motivo”, disse.

Gesiane Locatelli, de 29 anos, veio do município de Sorriso para participar do simpósio. Ela conta há pouco mais de um ano descobriu que a filha Letícia, agora com 10 anos, tinha dislexia.

“Ela é Miss Universo Brasil 2017 e Miss Turismo 2018, é uma menina fantástica, esperta, mas reprovou na escola três vezes seguidas em uma escola particular e nós não conseguíamos descobrir o motivo. A diretoria disse que não sabia mais o que fazer com ela e isso estava fazendo mal tanto para ela, que começou a perder a confiança em si mesma, e para nós, que não sabíamos o que fazer para ajudar”.

Segundo Gesiane, assim que o transtorno foi descoberto, a menina passou a realizar o acompanhamento com psicopedagogos e fonoaudiólogos e desenvolvimento acadêmico começou a surtir efeito. “Ela tinha muita dificuldade para ler e também acabava enfrentando o preconceito dos coleguinhas. Hoje isso já está bem melhor e ela também sabe o que tem e está aprendendo a lidar melhor com a situação”.

Em sala de aula

O secretário adjunto de Política Educacional da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc), Edinaldo Gomes de Sousa, ressaltou que a dificuldade no desenvolvimento cognitivo e no aprendizado das crianças é um problema que merece atenção especial de todos que trabalham na Educação e por isso eventos como este são tão importantes.

"Dislexia não é uma doença, isso tem que ficar claro. É um transtorno de aprendizagem, sendo um problema de maior incidência nas salas de aula que chega a afetar cerca de 5% a 10% da população”.

Ele ressaltou que a Seduc conta com uma equipe multidisciplinar, com psicólogo, psicopedagogo, assistente social e fonoaudiólogo, que faz avaliação e acompanhamento dos estudantes da rede estadual após o diagnóstico pedagógico.

O deputado estadual e coordenador do simpósio, Wilson Santos, afirmou que é preciso necessário que todas as barreiras discriminatórias e excludentes sejam quebradas para ajudar as crianças e adolescentes. Para isso, segundo ele, o Estado irá providenciar um Centro de Diagnóstico da Dislexia até o final de 2018.

“O professor em sala de aula não tem condições de definir um diagnóstico, somente um centro multidisciplinar poderia ser capaz de dizer com clareza e precisão se a criança tem ou não a dislexia e aí realizar um acompanhamento. A expectativa é que este centro seja criado em Cuiabá e possa anteder pessoas do estado inteiro”.

Simpósio

O Simpósio foi realizado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso em parceria com a Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc). Como forma de inscrição, o evento apoiou a campanha “Doe 2 litros de leite”. Mais de 1.100 litros de leite foram arrecadados e entregues ao Hospital de Câncer e à Associação Pestalozzi de Cuiabá.





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