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Mais MT Muxirum vai atender estudantes de até 81 anos em comunidade quilombola

Após a primeira visita de técnicos da Seduc, duas turmas foram formadas imediatamente
Rebeca Cruz/Andréia Fontes | Seduc-MT

É a primeira vez que o programa vai à comunidade e expectativa é erradicar o analfabetismo nessa primeira etapa - Foto por: Seduc-MT
É a primeira vez que o programa vai à comunidade e expectativa é erradicar o analfabetismo nessa primeira etapa
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Duas turmas, com 10 alunos cada, foram formadas para atender a comunidade quilombola Vãozinho, no município de Barra do Bugres, pelo programa Mais MT Muxirum. Técnicos da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT), realizaram uma primeira visita e levantaram o número de moradores que necessitam de alfabetização. A expectativa é que mais turmas sejam criadas.

O programa foi lançado pelo Governo do Estado, por meio da Seduc, em agosto deste ano. A meta é erradicar o analfabetismo nos próximos cinco anos. Com investimentos de R$ 14,7 milhões, a expectativa do Mais MT Muxirum é atender, no segundo semestre deste ano, mais de 48 mil pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler e escrever. 

O secretário de Estado de Educação, Alan Porto, ressalta que a visita técnica realizada na comunidade de Vãozinho é mais uma das programadas em pontos de difícil acesso no Estado, com o propósito de apresentar a ação o programa aos moradores e incentivar a participação.

“Temos uma meta audaciosa, mas possível de ser alcançada justamente pelos esforços do Governo do Estado em mudar a história da educação de Mato Grosso. Esse programa visa dar dignidade a milhares de mato-grossenses que não tiveram a oportunidade de serem alfabetizados nas séries iniciais”, destacou Alan Porto.

Superintendente de Diversidades Educacionais da Seduc, Lucia Santos afirma que o projeto Mais MT Muxirum significa a mudança de vida para o povo quilombola.

“Esse projeto vai dar possibilidades para as pessoas que nunca tiveram. A partir de agora aquilo que eles escreveram eles vão ler, eles vão conseguir expressar de uma outra forma aquilo que eles não conseguiam expressar”.

Ela enfatiza ainda que as mudanças que o projeto vai trazer representam dignidade e oportunidades.

“Daqui para frente eles conseguirão, com as próprias pernas, com as próprias mãos, pegar o ônibus que eles não conseguiam pegar sozinhos. Eles vão conseguir assinar o documento entendendo qual é o documento que eles estão assinando. Ninguém mais vai poder passar a perna e passar por cima deles só porque eles não sabiam”.

Engajamento

Durante a visita, os moradores da comunidade ficaram entusiasmados. Devido à comunidade estar localizada em uma área de difícil acesso, muitos possuem dificuldades de frequentar as aulas nas unidades escolares.

“É a primeira vez que o programa vai à comunidade e foi um encontro ótimo, para guardar na lembrança. Já conseguimos duas turmas, com dez alunos cada e dois alfabetizadores da comunidade, além disso temos perspectivas de formarmos mais turmas. É uma comunidade que vamos tratar com muito carinho, como se fosse a menina dos nossos olhos”, declara o responsável pelo projeto, Manoel Silveira.

De acordo com Manoel, as turmas são formadas, em grande parte, por alunos com idade média de 50 anos. O aluno mais velho cadastrado para o programa na comunidade tem 81 anos.

Além do Manoel, a visita contou com a presença de mais de 30 moradores da comunidade, servidoras da Prefeitura de Barra do Bugres, membros do Movimento Negro Unificado, lideranças quilombolas, membro do Comitê de Povos e Comunidades Tradicionais, representante da Secretaria de Assistência Social e Cidadania do Estado de Mato Grosso e da Coordenadoria de Educação do Campo e Quilombola da Superintendência de Diversidade da Seduc.

“É um desafio muito grande, mas hoje em dia nada se faz sem desafio. Esperamos erradicar o analfabetismo na comunidade do Vãozinho nessa etapa, mas, se não finalizarmos, possivelmente voltaremos em 2022” afirma Silveira.

A Coordenadoria de Educação do Campo e Quilombola, da Superintendência de Diversidades, vem contribuindo com a interlocução das necessidades do povo mato-grossense garantindo o atendimento aos povos tradicionais e fortalecendo o acesso das comunidades quilombolas à educação.





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